Delírio n.2391

Tudo à volta, o ambiente,
posso descreve-lo como denso.
Ao entardecer, cores confusas.
Na verdade as cores são claras,
o confuso sou eu.
Sempre fui desde o princípio.
Levo minha vida sobre o fino fio do acaso.
Escorrego no chão ensaboado.
Descubro a inércia viva em mim.
Neste momento então a torre de celular me olha de canto.
Finjo que não vejo nada, continuo escrevendo.
O que ela não sabe é que eu já sei do seu plano.
Realmente eu não teria modo de saber se não fosse
a minha gata Dub ter me contado o que sabia.
Geralmente não dou importância pros miados
dos felinos, mas na gata Dub eu acredito.
Por isso já estou preparado pra qualquer movimento suspeito
da torre de celular que, a cada dia, parece estar
muito mais próxima da minha janela.
E olhando pro outro lado vejo milhões de brasileiros
com a camisa da seleção, bandeiras e soltando fogos
pro alto, não entendo o porque, já que o gol foi do adversário..
O telefone toca e tudo se perde num segundo.