Sempre é Tempo

Sempre é tempo
De retomar o rumo
O fio da meada
Enfim, não é tarde demais
Embora tudo leve a crer isso
Mas sempre é tempo
Tudo tem conserto
É só ter paciência
E fazer aos poucos
Tudo o que tem que ser feito
Sem pressa, mas sem marasmo
É preciso agir o quanto antes
A luta nos empurra para o sofá
Frente a frente a uma tela de ilusões
E diz no nossos ouvidos: ‘Relaxa’
‘Tudo está certo não se preocupe’
É nessa hora que dá pra perceber
Percebe-se aí claramente quem é quem
Ou melhor, percebe-se quem é e quem não é
A maioria prefere submergir em mentiras
Mentiras confortáveis, tranqüilas, quase boas.
Se não fossem mentiras, tinham tudo pra ser boas.
Mas não passa de um jogo armado, com cartas marcadas
Eu particularmente não vejo graça em jogar assim
Cartas marcadas não são ingênuas, elas tem sua maldade
Mas quem está sendo iludido nem percebe as marcas nas cartas
E vai jogando dia a dia, achando sua derrota é justa ou normal.
Mas é tudo mentira. Nenhuma derrota é normal
Ninguém pediu pra nascer em campo de batalha,
Mas se foi aqui que nascemos, que venha a guerra então
Ninguém nasceu pra perder, pra se entregar
Mesmo assim, de alguma forma, não sei como,
esse nosso sistema dominante está derrotando a maioria
O pior é que trata-se de um sistema imbecil e muito falho
Não consigo compreender tanta gente se entregando desse jeito
É preciso um despertador gigante pra acordar todo mundo.
(01/04/2006)