A vida de novo..

Acelerações bruscas,
não ajudam em nada..

A vida toda pela frente
Todo dia é assim
De um jeito diferente,
Mas sempre igual.
Palavras pulam
De nada adiantam
Se não forem fluídicas
Fluentes, naturais, espontâneas.
Assim como a respiração
Tem que ser o ato de escrever
Uma busca que se encontra em si mesma
Um eterno retorno satisfatório exponencialmente
Inversamente proporcional ao resto das coisas
Porque no fim de tudo é isso mesmo
Ou nada, enfim, pouco importa qualquer coisa.
Essa é minha justificativa. É por isso que caminho pelo niilismo.
Construções inúteis, a não ser pela beleza, ou estranheza que seja.
Deformações múltiplas, composições abstratas demais.
Prefiro caminhar pelo prazer a que chegar em algum lugar.
Na verdade acredito que o único jeito é esse. Infelizmente.
Esse é o único jeito porque não tenho como acreditar em outro.
Essa história de se chegar em algum lugar é sempre ilusão.
Não passa de uma rica fonte de alimentos pra frustrações mil.
A cada dia, a cada minuto, momento a momento.
Na velocidade que minha cabeça conseguir andar eu vou.
Meu tempo é esse, meu ritmo, é esse o meu limite.

Acelerações bruscas não ajudam em nada..

Não posso fazer tudo o que imagino, mas acredito que isso seja um mal comum a todas as pessoas que imaginam fazer muitas coisas.

Eu poderia tentar imaginar menos coisas a fazer, assim proporcionalmente faria mais coisas das quais eu imagino fazer, mas isso seria deliberadamente uma tentativa de me limitar.

Prefiro imaginar fazer muitas coisas e fazer de fato o máximo delas que eu conseguir, mas sem pressa, sem agonia, porque é importante lembrar que ninguém nunca vai conseguir fazer tudo o que quer. Então o lance é curtir momento a momento, segundo a segundo, na velocidade tranqüila que sua mente puder te levar.

Acelerações bruscas não ajudam em nada..
(2006)