Às vezes a vida é uma grande perda de tempo. Nunca sabemos exatamente quando. É que geralmente achamos o que estamos fazendo útil, importante, necessário. Escrever por exemplo é algo totalmente útil, importante e necessário sendo que ao mesmo tempo, escrever é a maior perda de tempo que eu posso imaginar. E tudo é uma questão de ponto de vista. Ou melhor, uma questão de pontos de vista, no plural. São infinitos os pontos de vista observando algum fenômeno. Isso faz com que o fenômeno não seja apenas um, mas milhões, zilhões. Isso faz com que cada fenômeno não seja apenas ele em si mesmo, mas sim, as infinitas visões de cada um, a seu ponto. Criando assim um imenso emaranhado de pontos de vista. Tudo que não seja alimento, abrigo, amor, beleza ou criatividade, tudo que fugir disso é falso. É invenção. Mais ou menos como as regras do xadrez, pura invenção arbitrária e humana, imperfeita e tendenciosa. Tudo falso. Apenas o que nos traz amor, beleza, deleite, música, paz, criatividade, alimento e abrigo são coisas realmente necessárias.